Novo servidor

8 abril, 2009

Caro leitor,

A partir de hoje, este blog será atualizado em outro endereço

http://anivelde.org/blogdozangari

Lá será possível o acesso aos blogs de outros amigos jornalistas e publicitários.

 Espero você no novo portal!

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Fé na liberdade

27 março, 2009

Tem dias em que a gente se sente ainda mais impotente diante do mundo e das pessoas que nos cercam. A sensação que ecoa no peito é amarga, áspera, nada palatável. Nossas disposições parecem se esvair com o vento. Nossas convicções parecem sucumbir à potência dos fatos – e das versões que a eles são dadas. Fica a impressão de que a névoa tomou conta do caminho. Perdemos o norte.

 

Assim tenho me sentido nos últimos dias ao ler jornais ou assistir à televisão. De um lado, comentários múltiplos – e para diversos gostos, dos mais severos ao puro achaque – sobre as declarações do papa Bento XVI na África. De outro, alguns artigos ainda na rabeira do assunto “aborto de Alagoinha” desferindo os últimos golpes na já nocauteada imagem do Arcebispo de Olinda e Recife. Por fim, as denúncias de pedofilia em uma escola confessional católica de Marília (SP) envolvendo o diretor da escola, membro de uma congregação religiosa.

 

Desse caldo de assuntos – mais apetitoso aos críticos do que aos defensores – surgem questionamentos, inquietações, possibilidades de reflexão. Será assim tão errado defender o respeito à dignidade das pessoas em detrimento da liberalidade sexual ou da lucratividade do universo de consumo? Abstinência, continência e limite já seriam letras mortas no vocabulário pós-moderno? Qual é o limite entre a reta intenção e o interesse privado? Não estariam alguns promovendo uma vingança velada, acusando as instituições de subversivas e querendo repetir os erros da fogueira inquisitória de séculos passados? Não é hora de estancar o sangramento dos escândalos na vida das comunidades religiosas? Até que ponto não seria meritório o ato de reconhecer, de uma vez por todas, que o meio religioso sofre as mesmas mazelas da sociedade? Não é hora de assumir de forma definitiva a afirmativa de que “as alegrias e esperanças, os sofrimentos e tristezas do mundo são as alegrias e esperanças, os sofrimentos e tristezas da Igreja” (Constituição Apostólica Gaudim et Spes, 1965)?

 

Mantenho firme aqui o já publiquei sobre o direito de opinião. Ele é um sagrado instrumento democrático e deve ser respeitado. Ainda mais como cristão, que acredito no projeto de um galileu que, no amor, ensinou a beleza de se viver libertado dos grilhões do egoísmos, das amarras da individualidade. Um jovem nazareno que demonstrou a satisfação que existe em pensar e viver para promover a vida de todos, especialmente de quem mais sofre. Isso se chama fé na liberdade.

 

Estou aprendendo a acreditar mais em Deus. Estou começando a perceber que a impotência diante do mundo é inerente ao ser humano. Mas a impotência diante do próximo é sinal de desânimo com a beleza da vida. Assim canta Jorge Aragão:

          

“Deus manda, Deus manda

Na hora em que mais se precisa

 

A luz pra acender minha alma

A cura da dor num lampejo

Todo o perdão que me salva

Olhos pra quando eu não vejo

 

Se eu me sinto sozinho

Ele vem em segredo

E me faz passarinho

Pra que eu não mais tenha medo

 

Foi na vontade de ver a mão divina tocar

No meu tormento, o sofrimento estancar

Que vim mudar meu querer, a fé não mais vacilar

E descobri o bem que tem em recomeçar”.


Agora também no Twitter

23 março, 2009

Depois de muita relutância, resolvi abrir uma conta no Twitter. Ainda não entendi muito a lógica do negócio, mas me pareceu divertido. Ainda assim ficou a impressão de que, pra ser realmente bacana, tem que ficar com ele aberto direto, o dia todo e, a cada novidade, postar um recado novo.

Um dia ainda terei paciência e disponibilidade suficientes para tanta dedicação à comunidade virtual.

Enquanto isso, a gente leva do jeito que dá.

PS: O link tá aqui.


queroumacasanova.com.br

20 março, 2009

Quer uma casa nova?

Em breve este blog vai ter a dele:  http://www.youtube.com/watch?v=SoezRKEc0u0


Os limites entre a crítica e a maledicência

18 março, 2009

 A noite de hoje foi marcada por uma discussão existencial, como o título deste post sugere. No entanto, a análise desse campo em que a linguagem tem papel fundamental pode nos ajudar a conferir – ou não – valor ao que falamos e ouvimos pela vida afora.

A crítica, nos primórdios da Filosofia, surge de uma inquietação sobre as origens de um ser ou de um fenômeno. Daí surge a necessidade de problematizar o que se pretende criticar. Em muitas vezes, o resultado da crítica não é um conceito acabado. A crítica ajuda a descobrir origens, aspectos difusos, pontos obscuros do objeto a ser criticado. O objetivo da crítica, entretanto, é claro: dirimir as inquietações.

O equívoco que não raro todos cometemos está justamente no fato de carregar de negatividade a pretensa pureza original do espírito crítico, tão saudável para nossa reflexão cotidiana. Quando vacilamos nesse ponto, estamos a um passo da maledicência. E quero aqui diferenciar contundência com maledicência. Argumentos consolidados – e densos – sempre são contributos importantes para uma boa análise crítica.

Quando tratamos de comportamentos e atitudes humanas, esses limites entre crítica e maledicência ficam ainda mais sensíveis. Quando lembramos que a sociedade tecnológica em que vivemos nos oferece tantos recursos para darmos nossos palpites na vida e nas atitudes alheias, o ato de criticar se torna um tanto mais delicado quanto desafiador.

A discussão que tive hoje com os amigos me fez lembrar o conselho evangélico presente em Mateus 18, 15-17:  “Se teu irmão tiver pecado contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele somente; se te ouvir, terás ganhado teu irmão. Se não te escutar, toma contigo uma ou duas pessoas, a fim de que toda a questão se resolva pela decisão de duas ou três testemunhas. Se recusa ouvi-los, dize-o à Igreja. E se recusar ouvir também a Igreja, seja ele para ti como um pagão e um publicano”.

Não é fácil, de fato. Mas é caminhando que se faz o caminho.

* Ao som de: Condor, Oswaldo Montenegro


As exegeses sobre o aborto – e as excomunhões – de Alagoinha

13 março, 2009

Quero aqui registrar as opiniões de algumas pessoas – alguns deles,  grandes amigos, inclusive – sobre a celeuma em que o Arcebispo de Olinda e Recife se envolveu no caso do aborto de Alagoinha. E, a seguir, coloco um breve parecer.

Meu amigo e professor (não em sala de aula, mas nas lutas da Faculdade Cásper Líbero) Marcelo Coelho, em artigo na Folha de São Paulo da última quarta-feira (11/03), coloca:  “A atitude desse arcebispo é tão estreita e sem caridade, que fica até vulgar criticá-la como merece. Mas quando leio que o padrasto, o homem acusado de estuprar a menina, não foi excomungado, não resisto à tentação.
Assim como se martelou muito a frase de Maluf sobre o ‘estupra, mas não mata’, bem que dom José mereceria ser celebrizado pelo ‘estupra, mas não aborta’ “.

No dia seguinte, o articulista Contardo Calligaris, também na Folha, opina:  “Ser moderno não significa topar qualquer parada e perder-se no relativismo. Ao contrário, ser moderno (e ser cristão) significa tomar a responsabilidade de decidir no nosso foro íntimo o que nos parece certo ou errado. Claro, é mais difícil do que procurar respostas feitas e abstratas no direito canônico. Mas, contrariamente ao que deve achar dom José, ninguém nunca disse que ser cristão (e moderno) seja fácil.
Felicito o presidente Lula, que falou como cristão, ao risco de parecer ‘católico mais ou menos’. Quanto a dom José, ele falou como católico e se revelou como um ‘cristão mais ou menos’. O dia em que ele quiser ser cristão, ele nos dirá, com suas palavras, por que e como, em seu foro íntimo, acha o gesto de quem interrompeu a dupla gravidez de uma criança de 30 quilos muito mais grave do que a abjeção de um padrasto que, por três anos, estuprou suas enteadas”.

Meu amigo e irmão Leandro Beguoci escreve, depois de uma análise etimológica: “o Arcebispo de Olinda e Recife errou. E errou feio ao fazer a triste figura de um Quixote que não leu São Paulo: Cristo veio para libertar da lei, inclusive da letra fria do código canônico”. 

Depois desse bombardeio de consistentes argumentos, fui perguntado na rua e no seminário: “E você, como jornalista e seminarista, o que acha?”

Como jornalista, acho que todos têm o sagrado direito de opinar. Essa conquista da sociedade democrática é ialienável. Como cidadão, vejo que o estupro praticado por esse padastro é um crime hediondo e deve ser punido como tal.

Como cristão, católico e seminarista, digo – apesar das pressões contrárias de setores da mídia e de entes financeiros – que Jesus veio para “que todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo  10,10). Esse valor maior nos impele à defesa da vida digna para todos, “desde a sua concepção até o seu  natural declínio” (Papa Bento XVI – discurso no início da visita ao Brasil). Neste sentido – e prezando pela colegialidade da Igreja – fico com as palavras proferidas hoje pelo presidente da CNBB, Dom Geraldo Lyrio Rocha (a íntegra da matéria está na Folha Online).

Diz o arcebispo de Mariana:  “O estupro é uma coisa tão repugnante que a igreja não precisa chamara atenção para ele, está na consciência de todos. O aborto não, por isso a excomunhão não é só para punir, mas para que quem praticou o ato possa perceber a gravidade e buscar sua reconciliação”. E ainda:  “Às vezes a excomunhão existe para chamar atenção para a gravidade do ato. O aborto traz consigo essa pena porque está se diluindo a gravidade do aborto até mesmo entre os cristãos. Quem viola isto, se coloca fora da comunidade eclesial”.


Pingue-pongue do PIB

11 março, 2009

Os jornais de hoje trouxeram como manchete a queda de 3,6% do Produto Interno Bruto do Brasil no quarto trimestre do ano passado. A notícia veio acompanhada de uma série de análises e comentários que, de certo modo, pressionam o Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central – a promover um corte generoso na taxa básica de juros da economia (Selic). A reunião está marcada para hoje (quarta-feira).  Aos pitacos:

* A Folha destaca que, em Brasília, foi grande o susto com o tamanho da queda do PIB. A esperança do governo estaria, segundo a reportagem, no pacote habitacional lançado recentemente;

* O Estado de S. Paulo destca que o Brasil devolveu ao BID (Banco Interamenricano de Desevolvimento) US$ 57 milhões que eram destinados a um plano nacional de saneamento básico que iria beneficiar cerca de duzentos municípios. O dinheiro foi devolvido porque apenas uma cidade recebeu as benfeitorias previstas;

* Aí eu pergunto: e o tal do PAC? Já foi emPACotado e colocado pra escanteio?

* Rodrigo Maia, do DEM, disse que o presidente Lula abusou na crença de que a crise era uma “marolinha” e que o erro do governo foi continuar contratando gente mesmo com os indicadores financeiros mostrando um momento desfavorável. Belo diagnóstico do deputado. Que tal agora a oposição no Congresso dar o exemplo, cortar gastos abusivos e trabalhar um pouquinho? Os cidadãos agradecem.

* Achei um barato a declaração do ex-ministro Delfim Netto: “Se o Copom cortar a Selic em 1,5 ponto percentual, mando rezar uma missa ecumênica”. Rezemos…